Palavra do Presidente
Uma OAB construída pela advocacia.
Desde o início desta gestão, estabelecemos uma convicção muito clara: a OAB precisa pertencer à advocacia, e não à sua Diretoria.
Foi a partir dessa premissa que começamos a construir uma nova mentalidade de gestão na Subseção de Gravataí, baseada na profissionalização, na participação colaborativa, na descentralização e, principalmente, na formação de novas lideranças.
Não acreditamos em uma OAB excessivamente concentrada na figura de seu Presidente ou de sua Diretoria. Uma instituição forte precisa distribuir responsabilidades, confiar nas pessoas e criar espaços para que advogados e advogadas assumam protagonismo.
Por isso, nossas Comissões ocupam posição central nesse projeto. A elas procuramos assegurar liberdade para desenvolver ideias, propor projetos, realizar eventos e transformar conhecimento técnico em ações concretas para a advocacia e para a sociedade.
A Diretoria deve ser um instrumento, dar suporte e estabelecer diretrizes. O protagonismo deve ser da advocacia.
Esse modelo tem também um propósito que ultrapassa a atual gestão: formar novas lideranças. Queremos que cada vez mais colegas adquiram experiência institucional, assumam responsabilidades e compreendam que podem contribuir diretamente para os rumos da Ordem. Uma cultura de gestão colaborativa somente se consolida quando deixa de depender das pessoas que momentaneamente ocupam os cargos de direção.
Nosso objetivo é fazer com que essa mentalidade avance a tal ponto que não seja mais possível retroceder.
Ao lado dessa descentralização, assumimos compromissos que são inegociáveis. O principal deles é a defesa das prerrogativas profissionais.
Nossa campanha “Violação de prerrogativas: não vamos deixar passar” traduz exatamente a postura que esperamos da instituição. Nenhum advogado ou advogada deve se sentir sozinho diante de uma violação. Prerrogativa não é privilégio profissional: é garantia necessária ao exercício da defesa e, portanto, ao próprio cidadão.
Da mesma forma, entendemos que defender a advocacia exige enfrentar os problemas da prestação jurisdicional. Temos levado às instituições as dificuldades encontradas na Justiça Estadual, Federal e do Trabalho, reivindicando e alcançando melhorias de estrutura, pessoal e funcionamento.
Entendemos que a OAB Gravataí não pode ser uma instituição que apenas manifesta opiniões diante dos problemas que afetam a advocacia e a sociedade. Precisamos ter estratégia própria, capacidade de diagnóstico e propostas concretas para a melhoria dos serviços públicos e das condições do exercício profissional.
Por isso, não abrimos mão do trabalho técnico, fundamentado em dados oficiais, no conhecimento produzido por nossas Comissões e em posicionamentos firmes, independentes e, ao mesmo tempo, construtivos.
Também colocamos o desenvolvimento intelectual da advocacia entre nossas prioridades. Cursos, congressos, palestras e debates devem oferecer instrumentos concretos para o aperfeiçoamento profissional, aproximando nossos colegas das transformações do Direito, da tecnologia e das novas exigências do mercado jurídico.
E entendemos que a responsabilidade da OAB não termina nos Fóruns. Gravataí e Glorinha enfrentam importantes desafios de desenvolvimento econômico e social, planejamento urbano, segurança, educação e políticas públicas. Uma instituição com a representatividade e a independência da Ordem precisa participar dessas discussões, dialogando com o Poder Público, universidades, entidades empresariais e sociedade civil, sempre preservando sua absoluta independência político-partidária.
Ainda temos muito a construir. Mas acredito que algo importante já aconteceu: a OAB Gravataí assumiu definitivamente a sua responsabilidade e encontrou um rumo de progresso e de melhoria das condições de trabalho em todas as áreas do exercício profissional.
Nosso maior desafio agora é fazer com que esse rumo não dependa de uma gestão.
Queremos deixar uma cultura institucional: uma OAB profissional, descentralizada, colaborativa e aberta a novas lideranças; uma instituição na qual as Comissões tenham liberdade para construir, a advocacia tenha espaço para participar e a Diretoria compreenda que sua maior realização não é concentrar protagonismo, mas ser um instrumento de distribuição.
Não podemos retroceder!
Luiz Fernando Rodrigues
Presidente da OAB Subseção de Gravataí.